Valorização dos catadores e investimentos impulsionam coleta seletiva em Aracaju apresenta os principais desdobramentos e reforça a importância do assunto.
Com o objetivo de transformar a capital sergipana em uma cidade mais limpa, além de responsável ecologicamente e socialmente, a Prefeitura de Aracaju, por meio da cooperação técnica firmada com a Central de Cooperativas, tem realizado diariamente a coleta seletiva de material reciclável pelas ruas de Aracaju. O modelo é um dos pilares de ações de sustentabilidade da gestão. Somente nos primeiros seis meses deste ano, já foram coletadas mais de 3.000 toneladas de materiais recicláveis, com uma média mensal de aproximadamente 532 toneladas.
O resultado positivo também foi atestado pelo levantamento realizado pelo Instituto Veritá. Segundo avaliação do segundo trimestre de 2026, Aracaju alcançou a nota 6,62 na área de limpeza urbana e da zeladoria, com destaque para coleta de lixo, paisagismo e a conservação de praças e jardins, além da varrição de ruas, avenidas e espaços públicos. O resultado da pesquisa representa o fruto do trabalho ostensivo de limpeza pública que vem sendo realizado pela Prefeitura, por meio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb).

Entre um dos fatores que contribuíram para os bons resultados está o contrato de cooperação com a Central de Cooperativas assinado em janeiro de 2026. Iniciativa pioneira, o acordo trouxe melhor remuneração, reconhecimento profissional e melhor qualidade de trabalho para os catadores. No novo contrato firmado, a gestão passou a remunerar os trabalhadores a partir da medição baseada nos quilômetros rodados e nas toneladas coletadas. O processo de triagem que orienta os valores é realizado no Centro de Triagem de Resíduos Sólidos (CTR) Marilene Alves, no bairro Olaria. Além disso, o contrato estabeleceu que as ações de educação ambiental fossem realizadas pelos catadores. Com o acordo, a Prefeitura incluiu mais três caminhões para as cooperativas.
O gerente de Engenharia e Controle da Emsurb, Carlisson Sampaio, destaca que a nova determinação corrige uma injustiça com a classe trabalhadora e se integra ao ESG, gerando um impacto positivo ambiental, social e financeiro para os aracajuanos. Carlisson ressalta que, ambientalmente, o impacto é gerado porque um volume menor de material vai para os aterros sanitários. “Por mais que o aterro sanitário tenha um tratamento de engenharia para que não polua o meio ambiente, para que traga o menor impacto possível, a gente tem sim uma degradação desse material que afeta o solo”, explicou.
Além disso, o cuidado com os catadores aumenta e a Prefeitura proporciona uma melhor qualidade de vida ao transformar resíduos em renda. “Os catadores trabalhavam na rua sem cuidado, sem equipamento de segurança e passando a entregar o material às cooperativas, eles adquirem maior renda e conseguem cuidar mais das famílias, porque além de trabalhar na cooperativa, a própria cooperativa também fornece ajuda e auxílio para os filhos e a família dos cooperados”, completou o gerente.
A coleta
A coleta seletiva em Aracaju é realizada pela Cooperativa de Reciclagem do bairro Santa Maria (Coores), a Cooperativa dos Agentes Autônomos de Reciclagem de Aracaju (Care) e a Cooperativa de Reciclagem União e a Reciplac. Seguindo um cronograma, os trabalhadores realizam a coleta do material nos oito caminhões utilizados pelas cooperativas.
A coleta seletiva acontece de segunda-feira à sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 15h. A população pode solicitar a inclusão do endereço na Ouvidoria da Emsurb por meio do telefone (79) 3021-9908.
Além da execução da coleta de lixo ter melhorado na cidade, as mudanças propostas pelo acordo firmado com a Central de Cooperativas mudaram consideravelmente a vida dos catadores. Outro importante destaque foi a nova estrutura do CTR Marilene Alves, que proporciona um ambiente seguro e agradável para que os cooperados realizem a triagem dos materiais.
O Centro de Triagem é operado pela Cooperativa de Catadores União. Para o pleno funcionamento do espaço, foram investidos R$ 1.192.567,50, que equiparam a unidade com plataformas balança, carrinhos plataforma, fragmentadoras de papel, trituradores de vidro, empilhadeiras e esteiras. Após a triagem e processamento, o material é vendido para as fábricas, gerando uma das principais fontes de renda da cooperativa.
A coordenadora ambiental do centro, Melissa Christian, relembra que o antigo espaço não tinha estrutura mínima, como banheiros, para os trabalhadores. “Lá a gente não tinha área de descanso, ficamos expostos ao sol porque não tinha uma cobertura. E aqui não, temos uma estrutura boa e segura para trabalharmos”, disse.
Segundo a catadora da Cooperativa União, Sabrina de Almeida, de 29 anos, o novo contrato facilitou bastante o trabalho dos catadores, especialmente os novos caminhões que foram incluídos e passaram a ser remunerados. “Esse acordo firmado pela Prefeitura melhorou demais o nosso trabalho, principalmente com os novos caminhões nas ruas para a coleta. E isso ajuda tanto a população como a gente que trabalha com isso”, contou.
Trabalhando há três anos na União, a catadora Patrícia Alves conta que a mudança no modelo de remuneração por quilometragem melhorou a renda dela e segurança no trabalho. “Agora, está melhor. Antes, tínhamos uma renda muito baixa e irregular, hoje é um salário que ajudou bastante nas minhas contas”, afirmou.
Recém chegada no CTR Marilene Alves, Silvânia da Conceição, de 54 anos, disse que o espaço melhorou bastante, principalmente por não ter que trabalhar exposta ao sol. “Na outra cooperativa era no sol e aqui tem cobertura, é bastante ventilado. É melhor trabalhar aqui, temos onde descansar, comer, foi realmente um avanço para a gente”, pontuou.
Silvânia também celebrou as mudanças na remuneração. “Esse foi um importante reconhecimento profissional que eles não tinham antes. Foi uma das melhores coisas, porque agora eu estou realizando todos os meus sonhos”, finalizou.
Educação Ambiental
Antes mesmo do trabalho dos catadores, a coleta seletiva inicia com os próprios moradores na separação dos resíduos domiciliares. A catadora Patrícia Alves, de 49 anos, diz que a principal dificuldade durante a coleta é quando o material comum e reciclável está misturado.
Os catadores realizam a atividade de educação ambiental porta a porta pelos bairros para orientar a população como realizar a separação correta e os impactos causados pelo descarte inadequado de lixo.
O agente de conscientização ambiental, Edvanio Lima, de 33 anos, trabalha com a Cooperativa União há seis meses. De acordo com ele, o trabalho de conscientização contribui para a preservação do meio ambiente “Esse trabalho realizado entre as cooperativas e a Emsurb é muito importante, pois facilita o trabalho da coleta. Dessa forma, a cidade continua limpa e há um cuidado com o meio ambiente, que é algo benéfico para todos nós”, ressaltou.
Edvanio também aponta que a educação ambiental está cada vez mais adepta. “Em vários lugares que a gente vai, muita gente agradece pelo trabalho. E, para nós que atuamos diretamente com a coleta é ótimo termos esse acesso aos moradores. Além disso, falamos sobre a separação correta com a comunidade”, destacou.
Mesmo com a adesão popular, as equipes ainda enfrentam resistência de alguns moradores. A agente de conscientização ambiental, Dayane Santos, de 30 anos, relata que as pessoas ainda se recusam a atender as equipes. “Tem pessoas que nem querem receber a gente na porta e outras não são acolhedoras. Infelizmente isso acontece”, falou.
Mas Dayane também diz que outra parte da população tem seguido as orientações sobre educação ambiental. “Tem ruas que a gente passava e via muito material jogado. Hoje em dia, depois que passamos por lá orientando, a gente já vê a separação do lixo comum do lixo que é reciclável”, salientou.
A importância da educação ambiental também foi reconhecida pelos moradores do bairro Olaria. Felipe do Nascimento, de 28 anos, é dono de uma mercearia e reconheceu a necessidade de orientação para um descarte correto. “Acho essencial que saibamos como separar o material de maneira adequada para mantermos o ambiente limpo”, disse.
Felipe também destacou a importância da limpeza para atrair mais clientes para o seu negócio. “No meu caso é mais que importante, estar em um ambiente limpo e agradável, porque isso aproxima e mantém a nossa clientela. Até porque ninguém quer estar em um ambiente sujo”, declarou.
Para a costureira, Valdeci Pereira, de 59 anos, a ação contribui para manter o bairro limpo e seguro. “Ensinar a população é uma ideia muito boa, porque vai mostrar a importância de morarmos em um lugar organizado. E que não podemos deixar as coisas jogadas por aí, nem misturar o lixo, porque não faz bem nem para a nossa saúde”, alertou.
Morador do bairro Olaria há mais de 50 anos, José de Melo, de 74 anos, conta que ainda encontra algumas pessoas descartando o lixo irregularmente. “Eu acho muito importante que eles estejam ensinando as pessoas, porque ainda vejo muita gente jogando lixo de qualquer jeito pelas ruas. E mesmo que a coleta esteja acontecendo certinho, precisamos fazer a nossa parte”, afirmou.
Foto: Fernanda Rodrigues
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Fonte: Faxaju