A delegada da Polícia Civil de Sergipe, Danielle Garcia (MDB), foi a entrevistada desta segunda-feira (9) do FF Cast, apresentado por Flavão Fraga, e falou sem rodeios sobre trajetória, segurança pública, política e os próximos passos da vida pública. Direta ao ponto, confirmou: é pré-candidata a deputada estadual em 2026, com a proposta de uma atuação firme e técnica na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese).
Filha de uma professora e de um comerciante, Danielle decidiu ainda no início da graduação em Direito que seguiria a carreira policial. “Comecei minha faculdade com um pensamento: eu quero ser delegada”, afirmou. Aprovada em concurso público aos 23 anos, ingressou na Polícia Civil em um dos períodos mais críticos da segurança pública no estado.
A passagem pelo Deotap marcou profundamente sua trajetória. Foram anos de investigações de grande repercussão e intensa pressão. “Foram os melhores e piores anos da minha vida. Sofri muitas ameaças e cheguei a andar com segurança 24 horas por dia”, revelou. Mesmo diante do risco, foi categórica: “Nunca pensei em desistir.”
Entre os trabalhos de maior impacto está a Operação Indenizar-SE, deflagrada em 2016, que apurou irregularidades envolvendo indenizações no poder público. As condenações relacionadas à operação foram confirmadas recentemente pela Justiça, reforçando o alcance das investigações conduzidas.
Ao analisar o cenário da segurança pública, Danielle lembrou que entrou na polícia quando Albano Franco era governador e acompanhou momentos em que Aracaju figurou entre as capitais mais violentas do mundo. Para ela, o quadro atual é melhor. “A situação econômica reflete diretamente na segurança. Hoje vivemos um momento muito bom, com mais trabalhadores com carteira assinada do que pessoas assistidas por programas sociais”, avaliou. E foi pragmática: “A polícia é muito sazonal.”
No campo político, negou qualquer atrito com Emília Corrêa, comentou o desejo da população por uma mulher à frente da Prefeitura de Aracaju e afirmou nunca ter entendido a falta de apoio à sua candidatura em 2020.
Ex-secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Danielle fez um alerta duro sobre a violência de gênero em Sergipe. O estado já registra um feminicídio consumado e 11 tentativas neste início de ano. Para ela, o problema é estrutural. “O Brasil mata, em média, quatro mulheres por dia por razão de gênero. Trabalhar a pauta da mulher é defender a sociedade como um todo”, destacou, apontando o machismo estrutural e a falta de integração das políticas públicas como entraves.
Ao falar do perfil que pretende levar para a Alese, Danielle foi objetiva: política para todas as pessoas, com atenção especial às mulheres, combate firme à corrupção e atuação baseada na escuta e no diálogo.
Danielle também fez questão de esclarecer seu posicionamento político-partidário. Filiada ao MDB, declarou apoio à reeleição do governador Fábio Mitidieri (PSD) e reforçou que o apoio no segundo turno de 2022 teve caráter estritamente pessoal, sem acordo político. Mesmo assim, afirmou manter-se firme em suas convicções, apesar das críticas por integrar o bloco governista.
Sobre a disputa ao Senado em 2026, manteve cautela e independência. “O segundo voto para o Senado ainda não foi definido. Nunca conversei com André. O tempo vai dizer”, afirmou. No momento, segundo ela, o foco está em sua própria eleição para a Alese e no apoio à reeleição de Fábio Mitidieri e do senador Alessandro Vieira.
Encerrando a entrevista, Danielle Garcia deixou um recado direto sobre sua postura política:
“Sou pré-candidata a deputada estadual e vou continuar fazendo política do jeito que eu acredito, porque o voto é a maior arma do cidadão.”
Fonte: Assessoria