Arte e resistência feminista na Feira do Bugio marcam Dia Internacional da Mulher

No Dia Internacional da Mulher, domingo, 8 de março, o Ato Político Cultural, organizado por coletivos, movimento sindical e movimentos sociais de Sergipe, levou o debate feminista para a Feira Livre do Bairro Bugio, em Aracaju, com o som do maracatu do grupo Baque Mulher e performance teatral com Paula Auday e Talita Calixto.

A concentração do ato aconteceu em frente à Igreja Nossa Senhora Aparecida e envolveu a população que participava da feira e da missa de domingo.

A senhora Maria José estava na missa e acabou participando do protesto porque foi tocada pela importância da união das mulheres para lutar contra todas as formas de violência enfrentadas diariamente.

“Tem que parar esse feminicídio. Precisamos de segurança para proteger a gente. É muita violência que está tendo. Eu sou mulher, tenho sobrinha, tenho minhas irmãs. A mulher luta, trabalha fora, trabalha e faz tudo dentro de casa e ainda tem homem que chega pra bater”, comentou emocionada a senhora Maria José.

Só pelo fato de ser mulher, foram assassinadas em Sergipe 15 mulheres e houve 46 tentativas de feminicídio no ano de 2025. Em 2026, que acaba de começar, já aconteceram 11 tentativas de feminicídio em Sergipe resultando na morte de uma mulher.

Os dados foram apresentados pela diretora da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-SE, Adenilde Dantas, que ressaltou a violência praticada contra a mulher trans, as meninas e adolescentes assassinadas pela violência machista em Sergipe.

Além da violência do feminicídio, Adenilde destacou a violência da exploração da mulher trabalhadora e conclamou todas, todos e todes a lutar contra a escala 6×1.

“Fica o apelo de que todos entrem nas redes sociais dos políticos para pedir o fim da escala 6×1. Nós, mulheres, não trabalhamos na escala 6×1, nós trabalhamos 7×0 em casa e precisamos vencer essa realidade derrotando a escala 6×1 e derrotando o machismo que nos impõe todo o trabalho doméstico todos os dias do ano”, reforçou a professora Adenilde.

“Pela vida das mulheres: chega de feminicídio/transfeminicídio e racismo. Por maior representação política, pela soberania dos povos e pelo fim da escala 6×1” foi o mote do protesto que reuniu o SINTESE, SINDISAN, SINDIJUS, SINDIPEMA, STTR-São Cristóvão, Sacema, Sindasse, Sindoméstica/SE, Sepumm, SINASEFE, UBM, Seeb, Sindifisco, SINTRASE, SINTUFS, Coletivo Olga Benário, Marcha Mundial das Mulheres, Amosertrans, a vereadora de Aracaju Sônia Meire (Psol), a deputada estadual Linda Brasil (Psol), militantes do PT, Psol, UP, entre demais partidos e militantes de esquerda.

Texto e foto Iracema Corso