VEREADOR CAMILO DANIEL VAI PROPOR CPI NA  CMA  PARA INVESTIGAR TRANSPORTE PÚBLICO DA GRANDE ARACAJU

VEREADOR CAMILO DANIEL VAI PROPOR CPI NA  CMA  PARA INVESTIGAR TRANSPORTE PÚBLICO DA GRANDE ARACAJU apresenta os principais desdobramentos e reforça a importância do assunto.

O vereador Camilo Daniel (PT) informou, durante entrevista concedida na manhã desta quarta-feira (22) ao programa do radialista Narciso Machado, na Fan FM, que pretende protocolar um requerimento na Câmara Municipal de Aracaju solicitando a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a gestão do transporte público da Grande Aracaju. O requerimento será protocolado na Casa assim que as atividades retornarem após o recesso dos vereadores.

Segundo o parlamentar, a proposta é apurar aspectos relacionados ao funcionamento do sistema, incluindo a aplicação de subsídios públicos, os contratos com as empresas concessionárias, a qualidade do serviço prestado, a situação da frota, o cumprimento de obrigações trabalhistas pelas empresas e os mecanismos de fiscalização e transparência adotados na gestão do transporte coletivo.

VEREADOR CAMILO DANIEL VAI PROPOR CPI NA  CMA  PARA INVESTIGAR TRANSPORTE PÚBLICO DA GRANDE ARACAJU

Outro ponto que deverá ser apurado pela CPI do Transporte, de acordo com Camilo, é a atuação da antiga empresa Progresso que operou durante anos em situação irregular sem que houvesse a devida fiscalização dos órgãos responsáveis. “A Progresso chegou a funcionar sem alvará, acumulou atrasos salariais, dívidas trabalhistas e manteve veículos sucateados em circulação, enquanto continuava prestando o serviço. A CPI precisa esclarecer como essas irregularidades persistiram por tanto tempo”, afirmou o parlamentar.

Ao longo do atual mandato, Camilo Daniel tem concentrado parte de sua atuação na pauta da mobilidade urbana. Em julho deste ano, lançou, juntamente com o deputado federal João Daniel (PT), um estudo técnico e um pacote de propostas sobre o transporte público da Grande Aracaju. O material apresentou um diagnóstico do sistema e sugeriu medidas voltadas ao fortalecimento da transparência, da participação social, da gestão pública do transporte e da discussão sobre a viabilidade do passe livre.

Denúncia da Mangue Jornalismo

Nos últimos dias, o debate sobre o sistema ganhou novos desdobramentos após reportagem publicada pela Mangue Jornalismo. A investigação apontou que veículos em operação pela Viação Modelo estão registrados em empresas ligadas ao grupo empresarial de Jacob Barata Filho, condenado por corrupção, e que parte desses ônibus estaria acima da vida útil permitida para circulação. Segundo a reportagem, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) informou que a titularidade dos veículos não impediria sua operação no sistema, enquanto a empresa não comentou o caso.

Para Camilo Daniel, as informações divulgadas reforçam a necessidade de uma investigação mais ampla sobre a gestão do transporte coletivo metropolitano. Segundo o vereador, além da situação da frota, é necessário esclarecer como são fiscalizados os contratos, quais critérios orientam a aplicação dos recursos públicos e como ocorre o controle sobre a operação do sistema.

Política de financiamento do transporte coletivo

Além da denúncia envolvendo a frota, Camilo defende que a CPI analise a política de financiamento do transporte coletivo. Em estudo divulgado pelos mandatos do vereador e do deputado federal João Daniel, foi apontado que o sistema opera com uma diferença entre a tarifa paga pelo usuário, de R$ 4,50, e o custo técnico estimado da viagem, de R$ 7,00, diferença coberta por subsídios públicos.

O estudo também aponta que, além dos subsídios mensais, o poder público financiou aproximadamente R$ 300 milhões na aquisição de ônibus elétricos e convencionais utilizados pelas empresas privadas que operam o sistema. O levantamento indica, ainda, que os repasses às empresas cresceram 87,5% em um ano, chegando a R$ 4,28 milhões em março de 2026, e que, apenas nos cinco primeiros meses do ano, mais de R$ 19 milhões foram destinados às concessionárias.

Transparência

Conforme o levantamento, os recursos são empregados em um modelo cuja gestão financeira e operacional, segundo o estudo, ainda apresenta limitações quanto ao acesso público às informações.

Na avaliação do vereador, um dos principais desafios para o acompanhamento do transporte coletivo é a dificuldade de acesso aos dados da operação. Segundo ele, informações sobre receitas, custos, passageiros transportados, critérios para pagamento dos subsídios e indicadores de desempenho não são disponibilizadas de forma suficiente para permitir o controle social.

“O transporte público da Grande Aracaju continua sendo uma verdadeira caixa preta. A população paga a tarifa, o poder público destina milhões de reais em subsídios às empresas, mas os dados fundamentais sobre custos, receitas, operação e fiscalização continuam de difícil acesso. A CPI é um instrumento previsto no Legislativo justamente para lançar luz sobre essas informações e permitir que a sociedade conheça como o sistema é administrado”, afirmou Camilo.

Texto e foto Débora Zoe

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Fonte: Faxaju