Um dos nomes mais importantes da guitarra no Brasil, o músico Luiz Carlini esteve entre as atrações da programação especial pelos 171 anos de Aracaju, integrando a banda do cantor e compositor Guilherme Arantes, que se apresentou na capital sergipana na noite desta segunda-feira,16. Com 73 anos de idade e cerca de cinco décadas dedicadas à música, Carlini carrega uma trajetória marcada por parcerias com alguns dos maiores nomes da música brasileira.
Carlini segue em plena atividade desde o fim oficial da banda Tutti Frutti, no início dos anos 1980. Ao longo da carreira, participou da gravação de mais de 400 discos, colaborando com diversos artistas e bandas de destaque da música nacional, como Barão Vermelho, Titãs, Rádio Táxi, Vanguart, além de nomes como Filipe Catto, Marcelo Nova, Supla, Erasmo Carlos e Lobão.
Durante entrevista, o guitarrista relembrou momentos importantes de sua trajetória e destacou o privilégio de ter atuado ao lado de artistas que marcaram época na música brasileira. “Comecei minha carreira no final dos anos 60, início dos anos 70, tocando com Rita Lee. Depois passei alguns anos com o Guilherme Arantes, na época do sucesso ‘Cheia de Charme’. Também trabalhei cerca de oito anos com Erasmo Carlos, período em que conquistamos um Grammy Latino”, recordou.
Segundo o músico, trabalhar ao lado desses grandes compositores foi fundamental para sua formação artística e para a construção de sua identidade musical. “Esses artistas têm uma coisa imbatível na música brasileira: a força das letras e da poesia. Eu venho de uma época em que o artista subia ao palco com seu quarteto ou quinteto e conquistava o público pela qualidade do repertório, das músicas e das interpretações”, afirmou.
Reconhecido nacionalmente por sua contribuição à música, Carlini também foi incluído em 2012 pela revista Rolling Stone Brasil na lista dos 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão, na categoria “Muito Além do Rock”. O guitarrista também refletiu sobre as transformações da indústria musical ao longo das últimas décadas. Para ele, os espetáculos atuais passaram a incorporar cada vez mais elementos visuais. “Hoje muitos shows têm uma grande estrutura audiovisual. Antigamente, muitas vezes bastava o artista e sua banda no palco. A música se sustentava sozinha, principalmente no rádio”, observou.
Mesmo com as mudanças no cenário musical, Carlini afirma que continua motivado pela paixão pela música e pela oportunidade de se conectar com diferentes gerações de fãs. “Eu faço isso porque gosto, porque me diverte. Quem nasce músico descobre cedo esse dom e passa a correr atrás dele. Ao longo da carreira gravei centenas de músicas e participei de muitos projetos. Sempre que sou convidado, participo. A música é uma missão, é uma forma de levar alegria para as pessoas”, destacou.
O músico também ressaltou que aprecia tanto grandes apresentações quanto shows em espaços menores e mais intimistas.“Trabalhei durante 43 anos na noite em São Paulo e adoro o formato mais próximo do público, como pubs e casas menores. Ali muitas vezes está a essência artística. Mas também gosto de tocar em arenas e grandes eventos. O prazer de tocar é o mesmo”, disse.
Para Carlini, a internet também teve papel importante na renovação do público de estilos como o rock e o blues. “Quando a internet surgiu, ajudou muito a renovar o público. Hoje vemos jovens descobrindo artistas de outras épocas. O rock é um estilo que atravessa gerações e viverá para sempre”, concluiu.
Foto: Ronald Almeida/ Secom/ PMA