Pelo segundo ano consecutivo, a programação oficial do aniversário de Aracaju abriu espaço para as manifestações culturais e religiosas de matriz africana, em cumprimento à lei municipal nº 5.873/2024, que assegura a participação dessas expressões nas celebrações da capital. A iniciativa, realizada pela Prefeitura de Aracaju dentro das comemorações pelos 171 anos da cidade, foi recebida com entusiasmo pelo público e por representantes dos povos de terreiro, que destacaram o reconhecimento e a valorização de uma tradição historicamente ligada à formação cultural aracajuana.
As apresentações reuniram os grupos Samba de Terreiro, Afoxé Filhos de Gandhy, Afoxé Di Preto e a cantora Ana Mametto. Enquanto aguardava o início dos shows, a professora Anadir José Santos Dário, iyakekerê do Abassá Pilão de Oxaguian, ressaltou o significado da participação das manifestações afro-religiosas na programação. “Esse evento é muito importante porque, durante décadas, estivemos fora das festividades de aniversário da cidade de Aracaju. Só há dois anos a prefeitura resolveu nos incluir, e isso é fundamental, porque em um país laico todas as religiões precisam ser prestigiadas”, frisou.
Entre o público que acompanhava as apresentações também estava o auxiliar administrativo Airton Cruz de Siqueira, admirador do Afoxé Filhos de Gandhy. Vestindo trajes inspirados no grupo, com turbante de toalha e colares de contas azuis e brancas, ele destacou a importância da iniciativa para a população aracajuana.
“É um evento muito bom para quem é de Aracaju, porque reúne várias religiões em um único local. Ter a oportunidade de prestigiar é muito especial. Os Filhos de Gandhy são uma atração nacional e trazem um pouco do clima do carnaval. Para quem não teve a oportunidade de ir ao carnaval de Salvador, a Prefeitura de Aracaju trouxe essa experiência para a gente poder viver um pouco disso aqui”, comentou Airton.
Para a presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Aracaju, Elisângela Santos, o momento representa uma conquista histórica para a população negra e para os povos de terreiro da capital sergipana.
“É um momento muito esperado e desejado por toda a população preta de Aracaju e também pelos povos de terreiro. Pelo segundo ano estamos vivendo isso, e agora com uma grandiosidade ainda maior. Agradecemos à Prefeitura de Aracaju por cumprir a lei e por inserir a cultura preta dentro das nossas atividades festivas. O Conselho de Igualdade Racial agradece a toda a equipe da prefeitura, à Secretaria de Cultura, à Secretaria de Comunicação e à Funcaju por essa parceria que tornou possível a realização desse momento”, concluiu Elisângela.
Foto: Ronald Almeida – PMA