O cuidado em saúde mental passou a acontecer mais perto de casa para milhares de aracajuanos. A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), consolida o Programa de Fortalecimento do Cuidado em Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde (PROAPS – Saúde Mental) como referencia no acolhimento emocional dos pacientes. A política pública tornou o município o primeiro do Nordeste a adotar, de forma estruturada e permanente, o cuidado psicossocial integrado à rotina das Unidades de Saúde da Família (USFs) e colocou a capital sergipana em destaque nacional.
Com foco no acolhimento e na escuta qualificada, o programa permite que pessoas com sofrimento emocional leve a moderado sejam atendidas diretamente nas USFs, sem a necessidade inicial de encaminhamento para especialistas. Instituída por meio da Portaria Municipal nº 372/2025, a medida adotada fortalece a prevenção, agiliza o atendimento e reduz a sobrecarga dos serviços especializados.
O volume de atendimentos em saúde mental na rede básica de Aracaju evidencia a dimensão da demanda da população por esse cuidado. De acordo com o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), em 2025 foram registrados 52.829 atendimentos em saúde mental na Atenção Primária, o que coloca essa área como a terceira condição mais frequente, atrás apenas dos atendimentos relacionados à hipertensão arterial e ao diabetes.
Dados do IDS Saúde Aracaju indicam que, ao longo de 2025, o PROAPS viabilizou mais de 32 mil atendimentos e aproximadamente 18 mil encaminhamentos na rede municipal, evidenciando a efetividade da estratégia na ampliação do cuidado em saúde mental na Atenção Primária. Entre as unidades, a USF Onésimo Pinto, localizada no bairro Jardim Centenário, registrou o maior número de encaminhamentos, com 836 pacientes direcionados para atendimento especializado com psicólogo, psiquiatra ou para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Já a USF Dona Sinhazinha, no bairro Grageru, destacou-se pelo maior volume de acolhimentos de casos leves a moderados, somando 1.889 atendimentos.
A secretária municipal da Saúde, Débora Leite, destacou que a iniciativa responde diretamente à necessidade da população. Na visão dela, a ampliação do cuidado na Atenção Primária reduz o tempo de espera e evita o agravamento dos quadros. “Muitos pacientes não podem aguardar longos períodos por um especialista. O acolhimento precoce é essencial para evitar que casos de ansiedade e depressão se tornem mais graves”, avaliou.
Ela também pontua que a estratégia contribui para organizar a rede de saúde. “Ao qualificar as equipes para acolher, classificar e encaminhar corretamente os pacientes, a gestão garante que os casos mais complexos cheguem aos especialistas no momento adequado. A unidade básica precisa resolver a maior parte das demandas. Esse é um passo fundamental para tornar o sistema mais eficiente e humanizado”, concluiu.
O programa é destinado a usuários a partir dos 18 anos. De acordo com o assessor técnico em Saúde Mental na Atenção Primária, Lucas Rosa, o atendimento a crianças e adolescentes exige abordagens específicas e maior nível de aprofundamento, considerando que esse público ainda está em processo de desenvolvimento. Segundo ele, nesses casos, a condução adequada ocorre por meio de encaminhamento para serviços especializados, garantindo um cuidado mais direcionado e qualificado.
“A organização do cuidado nas unidades básicas amplia a capacidade de resposta do sistema. A Atenção Primária tem potencial para resolver grande parte das demandas quando há equipes capacitadas e fluxos bem definidos. Isso permite que o usuário seja acolhido em seu território e encaminhado de forma adequada conforme a complexidade de cada caso. Casos leves e moderados são acompanhados nas unidades, enquanto situações mais graves são direcionadas para psicólogos, psiquiatras ou o CAPS”, ressaltou.
Para garantir a qualidade do atendimento, a SMS firmou parceria com a ImpulsoGov, responsável por capacitar os profissionais da rede. As formações combinam atividades presenciais, virtuais e estágio supervisionado, com duração média de seis meses. Em 2025, 170 profissionais de 50 unidades da rede, entre USFs, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) foram capacitados. A meta para o ano vigente é ampliar o número de equipes preparadas, com previsão de qualificação de cerca de 100 novos profissionais.
O PROAPS – Saúde Mental integra-se às demais linhas de cuidado da Atenção Primária e aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Reaps), adotando diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, bem como, a metodologia de Terapia Interpessoal. A medida contribui para reduzir filas de espera, qualificar o atendimento nas unidades e garantir que a população tenha acesso mais próximo, contínuo e humanizado ao cuidado em saúde mental no SUS.
Foto SMS